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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2026
Falta de caminhoneiros acende alerta para apagão logístico no Brasil
Escassez de profissionais pressiona transporte de cargas e expõe fragilidade estrutural do sistema logístico, aponta reportagem da Band
A falta de caminhoneiros no Brasil já acende alerta para um possível apagão logístico, diante da queda no número de motoristas, da pressão sobre o frete e do risco ao abastecimento em diferentes regiões do país, aponta reportagem da Band.
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O alerta ganha força em um país onde a maior parte da movimentação de bens e mercadorias depende do transporte rodoviário.
Enquanto a atenção tem se voltado para a safra milionária de grãos e para a expansão da infraestrutura de portos e ferrovias, quem garante que as mercadorias cheguem do campo até o destino final ainda são os caminhões. E, mais importante, os motoristas que os conduzem.
De acordo com matéria noticiada pela Band, dados recentes da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) revelam que o número de motoristas habilitados para veículos pesados no país despencou nas últimas décadas.
Em 2014, o Brasil contava com cerca de 3,5 milhões de caminhoneiros profissionais; dez anos depois, esse total caiu para 1,3 milhão – um tombo superior a 60%. Processos de contratação chegam a durar até seis meses, à procura de um motorista.
Esse encolhimento revela dois problemas principais. Baixa renovação da categoria, visto que a idade média dos profissionais gira em torno de 46 anos, e cada vez menos jovens ingressam na profissão; desinteresse pela carreira, em razão de baixos salários, falta de infraestrutura adequada nas estradas e o alto risco de roubo de cargas ou violência nas rotas tornam a atividade (bem) menos atraente.
A conta não fecha.
O que isso significa para o Brasil
Imagine um “apagão logístico”, ou seja, um cenário em que o país continua repleto de caminhões, mas faltam motoristas para conduzi-los eficientemente. Isso pode se traduzir em:
Atrasos no transporte de mercadorias;
Aumento do custo do frete, já que empresas precisam pagar mais para atrair profissionais;
Pressão nos preços ao consumidor, com possíveis impactos nos preços de produtos básicos;
Risco de gargalos no abastecimento regional, principalmente em áreas mais distantes dos grandes centros.
Esse risco se dá justamente em um país onde mais de 60% das mercadorias são transportadas por rodovias e caminhões, um nível de dependência rodoviária que não encontra paralelo em economias comparáveis mundo afora.
Uma realidade brasileira herdada da década de 1960, quando o Governo Central optou por esse modelo de transporte em detrimento de outros, como a ferrovia, que passou receber cada vez menos investimento público.
A profissão de caminhoneiro já foi símbolo de liberdade e aventura frente a estrada aberta. Mas hoje, a realidade se impera com desafios concretos que afastam novos profissionais.
As longas jornadas e separação da família, muitas vezes em estradas sem estrutura de descanso adequada, somadas à Insegurança, salários ruins e o alto investimento para conseguir a habilitação têm minado as bases e colocado em xeque o futuro da categoria.
O risco é agora
Especialistas do setor alertam que 2026 pode ser um ano crítico para o transporte rodoviário de cargas, caso não haja ações concretas para valorizar a profissão e atrair novos motoristas.
O que está em jogo é a capacidade do Brasil de manter seu ciclo econômico funcionando, desde o produtor rural que depende de transporte para levar a safra até o consumidor final que precisa de produtos nas prateleiras.
Evitar um colapso logístico exige ações coordenadas, como salários mais atrativos e condições de trabalho melhores, investimento em infraestrutura rodoviária, programas continuados de formação e políticas públicas que reforcem a segurança nas estradas e reduzam os riscos de violência e roubo de cargas.
Isso sem contar na urgência em diversificação da matriz rodoviária, com a expansão de outros modais, como hidrovia e especialmente a ferrovia.
O desafio é grande e corre contra o relógio. Nunca é demais lembrar: hoje, sem caminhoneiros, o Brasil para.
Agrofynews
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