Esporte | Madrid
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2026
Em oito anos no Real Madrid, Vini Jr. denunciou 20 casos de racismo
A atitude foi confirmada pelo atacante francês Kylian Mbappé, que joga ao lado de Vini Jr. no Real Madrid.
A Uefa, o órgão máximo do futebol europeu, anunciou nesta quarta-feira (18/2) a abertura de uma investigação oficial após o jogador brasileiro Vinicius Junior relatar ter sido alvo de ofensa de cunho racista durante uma partida em Portugal.
Esta foi a 20ª vez que Vini Jr. alega ter sido alvo de racismo durante seus oito anos no Real Madrid.
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O episódio mais recente aconteceu nesta terça-feira (17/2), durante a vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica, em Lisboa, pelo playoff da Liga dos Campeões 2025/2026.
Segundo Vini Jr, o meio-campista do Benfica, o argentino Gianluca Prestianni, o insultou com ofensas racistas minutos depois dele marcar um gol e comemorá-lo dançando.
A atitude foi confirmada pelo atacante francês Kylian Mbappé, que joga ao lado de Vini Jr. no Real Madrid. Em entrevista ao TNT após a partida, ele afirmou ter ouvido Prestianni dirigir ofensas racistas contra Vini Jr. cinco vezes durante o jogo.
O meio-campista do Benfica teria coberto a boca com a camisa para que a as câmeras não registrassem a ofensa, segundo Mbappé. Prestianni negou a acusação.
"Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas a Vini Jr., que lamentavelmente interpretou mal o que achou ter ouvido", disse o argentino. Ele também afirmou ter recebido ameaças após o episódio.
Segundo comunicado da Uefa, um inspetor de Ética e Disciplina foi designado para apurar as alegações de comportamento discriminatório ocorridas na partida. Novas informações devem ser divulgadas nos próximos dias.
O jogo chegou a ser interrompido por 10 minutos após Vini comunicar o incidente ao árbitro François Letexier.
Jogadores das duas equipes deixaram o campo, e o protocolo antirracismo foi acionado.
O gesto de braços cruzados utilizado pelo árbitro faz parte do protocolo introduzido pela Fifa em 2024 para sinalizar denúncias de racismo em campo.
Segundo o protocolo antirracismo adotado pela Uefa desde 2009, os árbitros podem interromper ou até encerrar partidas em casos de discriminação.
O procedimento prevê três etapas: interromper o jogo e fazer um anúncio no estádio, suspender a partida por cinco a dez minutos com retirada dos jogadores de campo e, em caso de persistência, abandonar o jogo após avaliação de segurança.
Após a paralisação, a partida foi retomada e terminou com vitória do Real Madrid por 1 a 0.
Em uma publicação nas redes sociais, Vinicius afirmou que "racistas são, acima de tudo, covardes" e criticou a forma como o protocolo foi conduzido.
"Nada do que aconteceu hoje é novo na minha vida", escreveu o jogador, que acumula diversos episódios semelhantes ao longo da carreira.
Ele também afirmou ter recebido cartão amarelo pela comemoração do gol e disse não compreender a decisão.
Em publicação nas redes sociais, o Benfica defendeu o atleta e afirmou que, pela distância, os jogadores do Real Madrid não poderiam ter ouvido o que alegam ter sido dito.
O Benfica afirmou que há uma "campanha de difamação" contra Prestianni após a abertura de investigação da Uefa.
O clube acrescentou ainda que "apoia totalmente" e acredita na versão dos acontecimentos apresentada pelo argentino.
BBCNewsBrasil
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